quarta-feira, 24 de julho de 2013

Entrevista: Bere conta para nós a sua vida: De recife a Salvador

Berenice conta história!!!

Conta tudo minha avó...


 “Recife... meu pai celestial será que vou lembrar... eu morava em Boa viagem de criança até adolescente era uma rua larga, lá tinha o hotel Boa Viagem que era próxima a uma igreja, a rua era sem asfalto o tempo passou e foi asfaltando né, a casa que eu morava com mamãe era pequena coberta com palha de coqueiro a maioria das casas de lá eram pequenas depois quando a cidade foi crescendo as coisas foram mudando construíram casas grandes a minha casa ai ficou no fundo de uma casa grande dessas morava eu e meu irmão Manuelzinho nesta casa, minha outra irmã morava com meu tio que tinha mais condições, eu morei com ele até os meus dez anos eu e meu irmão, porque mamãe ficou viúva cedo e não tinha condições de criar agente sozinha depois ela começou a lavar roupa pra fora ai fomos morar com ela, mas minha irmã ficou com meu tio nessa casa eu morei até os meus dezenove anos, eu gostava muito de ir a praia e jogar vôlei na praia, o carnaval só era no centro mesmo de recife, quando eu era muderninha eu gostava mesmo era de ir para o forró mas mamãe não deixava eu ir ai tinha vezes que eu fugia (risos) mas quando mamãe me pegava eu tomava uma surra daquelas ( risos), outro lugar que eu gostava muito de ir era no Pina ( um bairro de Recife) e eu sempre ajudei mamãe nos trabalhos de casa.”

O que me levou a Salvador...

“Quando eu tinha dezenove anos que eu conheci João seu bisavó que era carioca e ele tava hospedado no hotel boa Viagem ele foi trabalhar lá na instalação hidráulica do hotel e agente se conheceu na praia ele passou seis meses lá em recife começamos a namorar ele queria que eu fosse embora com ele mas mamãe disse que eu só ia casando ai e ele pediu a mamãe minha mão em casamento como eu não tinha enxoval João que comprou tudo para mim minha mão não tinha muitas condições, agente se casou ainda em Recife passamos a noite de núpcias ne Recife no outro dia de manhã pegamos o avião para salvador , que João ia trabalhar aqui meu enxoval veio em um navio porque era muita coisa não dava para vim no avião não, chegamos em Salvador e ficamos hospedados numa pensão na Rua Ruy Barbosa próximo ali da Rua Chile porque o apartamento que a empresa deu pra morar estava sendo desocupado ficamos por uma semana nessa pensão quando cheguei aproveitei para conhecer um pouco da cidade, conheci as praias e principalmente o centro que era bem movimentado a rua Chile era bem movimentada agora a rua ta horrível, o terreiro de São Francisco e a Rua da Misericórdia que eram bem diferentes já se tinha o elevador Lacerda que liga né a cidade alta e  baixa conheci o mercado modelo que também era diferente por que conheci o primeiro, o mercado que anos depois pegou fogo ele era maior que esse que construíram depois  e ta ai até hoje.”

O Bairro do IAPI
“Quando eu cheguei aqui no IAPI tinha bastantes árvores mamoeiros, mangueiras, laranjeiras, amendoeiras e muitas chácaras era tudo muito distante pra ir no centro na rua fazer alguma coisa tinha que ir andando até bem lá na frente no Pau Miúdo pra pegar uma Marinete e tinha que ir para o Retiro para pegar um Bonde.”
“Moramos por um bom tempo no apartamento, João comprou um terreno esse que moramos até hoje e aos poucos foi construindo ele mesmo a nossa casa tivemos o nosso primeiro filho seu avó João Carlos ainda morando no apartamento e SóSó ( Sônia Maria) também nasceu lá  quando ela tinha seis meses mudamos para a casa nova que foi a primeira casa da rua depois João construiu mais três casas no nosso terreno e até hoje moramos aqui meus filhos, netos e bisnetos cresceram aqui nesta rua eu gosto daqui de recife eu só sentia falta de mamãe ela era linda depois de casada só fui em recife uma vez pra o enterro de minha mãe  eu sofri muito sempre fui muito apegada a ela sentia sua falta quando vim pra aqui (lágrimas escorrem sobre seu rosto)mamãe era muito batalhadora e honesta. Antes de ter meus filhos eu João viajamos para o rio para eu conhecer sua família e eu conhecer a cidade a foi como se fosse a nossa lua de mel já que não tivemos uma logo depois do casamento.”

“Mesmo tendo uma vida dura em Recife ter vindo para uma cidade desconhecida longe de minha mãe, meu marido me fez muito feliz mesmo sendo mulherengo, sofri muito quando ele faleceu você ainda era pequena, mas você deve se lembrar de alguma coisa na minha vida eu fui e sou muito feliz.”





4 comentários:

  1. Respostas
    1. Dona Beré (me permita), obrigada por investir um pouco do seu tempo, para ensinar essa galera o que é história, os seus relatos nos inspira.

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  2. Ju, gostei muito do seu blog bem estruturado e com bastente informações.
    Parabens

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  3. Ju.. seu blog está lindo!! Em relação ao contexto, é bem interessante por trazer a história de uma pessoa que morou em Estados diferentes, nos proporcionando conhecer uma cultura diferente e melhor a nossa.

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